América Latina e Caribe buscam sua voz na era da fragmentação global

Ministros das Relações Exteriores analisaram o papel da região diante da nova ordem global no Fórum CAF do Panamá

29 de janeiro de 2026

No âmbito do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, foi realizado o debate “A Era da Fragmentação Global: ALC encontrará sua voz?”, um espaço de alto nível que reuniu ministros das Relações Exteriores da região para debater democracia, governança global, integração regional e investimento em um cenário de crescente reconfiguração geopolítica.

O painel foi moderado por Carlos Díaz-Rosillo, diretor fundador do Adam Smith Center for Economic Freedom, e contou com a participação de Fernando Aramayo, ministro das Relações Exteriores da Bolívia; Kamina Johnson Smith, ministra das Relações Exteriores e do Comércio Exterior da Jamaica; e Arnoldo André Tinoco, ministro das Relações Exteriores e do Culto da Costa Rica.

Os participantes concordaram que a América Latina e o Caribe enfrentam o desafio de construir uma voz própria em uma ordem global fragmentada, apostando no pragmatismo, no fortalecimento institucional e em uma integração regional renovada como caminhos para garantir estabilidade e desenvolvimento.

O ministro Fernando Aramayo afirmou que a Bolívia atravessa um processo de estabilização voltado à recuperação da confiança no Estado, ao enfrentamento de subsídios insustentáveis, ao combate à corrupção e ao contrabando e à reversão da desinstitucionalização. Destacou, ainda, a necessidade de humanizar os processos de ajuste econômico e de transitar de uma economia altamente informal para uma classe média fortalecida. No plano internacional, sublinhou a importância da geoeconomia, do relançamento do multilateralismo e da busca por uma integração latino-americana que permita negociar em bloco. Acrescentou que a Bolívia abre novas oportunidades por meio de reformas legais e de condições destinadas a oferecer estabilidade fiscal, jurídica e política para o investimento.

Por sua vez, a ministra Kamina Johnson Smith sustentou que a região pode atuar como ponte no cenário global sem perder sua identidade, desde que os países se unam em torno de interesses comuns e avancem para além de divisões ideológicas. Indicou que a Jamaica orienta suas decisões por um pragmatismo com princípios, mantém relações equilibradas com diferentes parceiros internacionais e aposta no multilateralismo como via para impulsionar desenvolvimento, estabilidade e crescimento. Destacou, ainda, que a Jamaica é um país aberto e preparado para receber novos investimentos.

O ministro Arnoldo André Tinoco abordou a crise de legitimidade da democracia, observando que a falta de respostas rápidas às necessidades da cidadania tem enfraquecido a confiança institucional. Explicou que a Costa Rica aposta em uma ampla classe média, na segurança por meio do multilateralismo e em uma economia orientada a produtos de alto valor agregado, com preparação para a Revolução Industrial 4.0 e setores dinâmicos, como o de dispositivos médicos.

O debate foi concluído com um chamado ao fortalecimento da integração regional, à renovação do multilateralismo e à construção de alianças equilibradas, como ferramentas para que a América Latina e o Caribe consolidem uma posição estratégica na nova ordem global e criem condições sustentáveis de crescimento e investimento.

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