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05 de março de 2026
No Fórum CAF do Panamá, sete chefes de Estado da região aproximaram posições e articularam estratégias para posicionar a América Latina e o Caribe como uma região de soluções diante dos grandes desafios do desenvolvimento global
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Em um contexto global marcado pela fragmentação geopolítica, pelo bilateralismo e pela incerteza no comércio internacional, a América Latina e o Caribe elevaram sua voz no primeiro dia do Fórum Econômico Internacional, organizado pelo CAF – banco de desenvolvimento da América Latina e Caribe.
Com a participação dos chefes de Estado do Brasil, Colômbia, Panamá, Equador, Bolívia, Guatemala e Jamaica, do presidente eleito do Chile, além de mais de 6.500 especialistas e líderes políticos e empresariais globais, o Fórum consolidou o consenso de que a região deve — e pode — deixar para trás a condição de “continente das oportunidades perdidas” para emergir como um espaço de soluções.
Trata-se de um encontro sem precedentes, tanto pelo número de chefes de Estado e líderes globais quanto pela representatividade de diferentes correntes ideológicas, que também reafirma o multilateralismo na América Latina e no Caribe. O Fórum Econômico Internacional 2026 propõe-se a ser um espaço para formular perguntas incômodas, examinar sucessos e fracassos e ouvir reflexões profundas.
O presidente executivo do CAF, Sergio Díaz-Granados, afirmou que “o cenário global nos oferece um contexto inédito: estamos vivendo um cisma no sistema baseado em regras. Um sistema imperfeito, mas que oferecia um piso de previsibilidade, hoje se vê confrontado por outro centrado em interesses e em disputas pelo controle de elementos essenciais para as transições digital e energética”.
O chamado à unidade e à integração também foi reiterado pelos demais mandatários. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, defendeu o multilateralismo e a cooperação como pilares irrenunciáveis. “Continuar divididos nos torna a todos mais frágeis”, afirmou ao plenário. “Em um contexto de ruptura da ordem liberal, de ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, a América Latina e o Caribe precisam atuar com pragmatismo e assumir que a integração possível é aquela baseada na pluralidade, na cooperação e em resultados concretos”.
Por sua vez, Gustavo Petro, presidente da Colômbia, destacou a importância de promover o diálogo entre civilizações como base para a construção da paz, assim como o valor da irmandade humana como condição essencial para a liberdade e a defesa da vida. “Se queremos paz e irmandade, deve existir um diálogo entre civilizações. Somente a partir da irmandade humana é possível a liberdade e, sem liberdade integral e sem a defesa da vida, não existimos plenamente como seres humanos”.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, ressaltou a importância de priorizar o diálogo e a cooperação regional. “Nossos povos nos pedem que trabalhemos mais nas convergências do que nas diferenças. O Panamá não é concorrente dos países, mas complemento de suas economias, e o Canal está a serviço da América Latina e do Caribe”, afirmou. O mandatário também agradeceu ao CAF e aos líderes presentes pelos esforços conjuntos para impulsionar uma agenda regional compartilhada.
Rodrigo Paz, presidente da Bolívia, afirmou que a América Latina precisa, mais uma vez, começar a construir seu destino com a verdade — uma verdade baseada na cultura da confiança verificável entre países, governos e sociedades. Paz também questionou abordagens ideológicas que freiam o desenvolvimento produtivo e ressaltou que emprego, educação e integração econômica devem estar no centro da agenda regional.
O debate também enfrentou de forma direta os desafios internos que limitam o potencial regional. O presidente do Equador, Daniel Noboa, concentrou sua mensagem na relação intrínseca entre estabilidade econômica, segurança cidadã e bem-estar social. Ele fez um chamado explícito para blindar as nações contra o flagelo do narcotráfico e para ampliar as métricas de progresso para além do Produto Interno Bruto.
Essa visão foi reforçada pelo presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, que advertiu que “sem segurança, a democracia é uma ficção”. Kast destacou que o avanço do crime organizado transnacional representa uma ameaça existencial às instituições democráticas e que enfrentá-lo requer uma cooperação regional “firme, efetiva e sem complexos”.
“Por tempo demais, nossa região foi descrita principalmente por meio da linguagem da vulnerabilidade”, afirmou o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness. “Mas a vulnerabilidade não é destino. Não somos periféricos para o sistema global; somos centrais para sua estabilidade, sustentabilidade e crescimento futuro”.
O presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, concordou quanto à urgência de um rumo claro e coordenado. “Precisamos de mais unidade, mais integração, coordenação e interconexão, assim como de um compromisso renovado com um sistema internacional baseado em leis e na paz, além de um financiamento sólido e sustentável para o desenvolvimento”, declarou. Sua intervenção enfatizou a necessidade de traduzir princípios em mecanismos financeiros e de governança que materializem a cooperação.
Os líderes convergiram na ideia de que os dilemas globais — da transição energética à desigualdade — e os desafios regionais — como a desigualdade, a insegurança e a necessidade de industrialização — exigem respostas coletivas.
O primeiro dia do Fórum CAF no Panamá lançou as bases para uma agenda de ação coletiva. A região não apenas reivindica um espaço global próprio, como demonstra, por meio do diálogo e da identificação de prioridades, que pode construí-lo. Ao longo de dois dias, o Fórum CAF do Panamá debaterá como gerar consensos políticos em projetos concretos de integração física, digital, comercial e de segurança, com o objetivo de posicionar a América Latina e o Caribe como um bloco indispensável para o futuro do desenvolvimento global.
A agenda contempla temas-chave como crescimento econômico, integração regional, sustentabilidade, investimento, inclusão e competitividade, com o objetivo de construir, a partir do diálogo, soluções concretas que impulsionem o desenvolvimento da região.
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