Mais integração regional para superar os desafios do comércio global

Representantes do CAF, da CEPAL, da União Europeia, da Comunidade Andina e da República Dominicana analisaram, no Fórum Econômico do CAF no Panamá, os desafios e as oportunidades enfrentados pela região em um cenário de crescente incerteza internacional.

29 de janeiro de 2026

A América Latina e o Caribe atravessam um momento decisivo em meio à reconfiguração do comércio internacional, marcada por tensões geopolíticas, avanços tecnológicos e novas prioridades estratégicas das grandes potências. Essa avaliação foi compartilhada por líderes regionais e internacionais durante o painel “Reescrevendo as Regras do Comércio: Desafios e Oportunidades para a América Latina e o Caribe”, realizado no âmbito do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026 do CAF, na Cidade do Panamá.

Os painelistas concordaram que o enfraquecimento do sistema multilateral e o uso crescente de instrumentos comerciais com fins estratégicos geraram um ambiente mais incerto e menos previsível. Nesse contexto, destacaram que a região precisará fortalecer sua integração, diversificar alianças e apostar em setores de maior valor agregado para manter sua competitividade.

José Manuel Salazar-Xirinachs, secretário executivo da CEPAL, afirmou que o novo cenário exige maior articulação entre a diplomacia comercial e as políticas industriais e tecnológicas. Ressaltou que a América Latina precisa fortalecer suas capacidades institucionais e a coordenação entre o setor público e o privado para impulsionar a transformação produtiva e superar as limitações estruturais ao crescimento.

“O desafio é combinar integração regional, diversificação de mercados e desenvolvimento de setores estratégicos que permitam gerar empregos de qualidade e maior produtividade”, afirmou.

Por sua vez, Gonzalo Gutiérrez, secretário-geral da Comunidade Andina, destacou os avanços da integração andina e sua contribuição para a consolidação de cadeias de valor regionais, especialmente no setor de manufaturas, que responde por mais de 80% do comércio intrarregional. Indicou que preservar e fortalecer esses espaços é fundamental para ampliar oportunidades econômicas.

Ele também ressaltou a importância de reforçar mecanismos baseados em regras para a solução de controvérsias e de manter separados os âmbitos político e comercial, a fim de garantir estabilidade e confiança para empresas e investidores.

Da Europa, Amparo López Senovilla, secretária de Estado de Comércio da Espanha, destacou o Acordo Mercosul–União Europeia como um sinal de compromisso com um comércio aberto e previsível. O acordo criará uma zona de livre comércio com 700 milhões de consumidores e prevê a liberalização de cerca de 90% das linhas tarifárias, além de incorporar disposições sobre comércio digital e sustentabilidade.

Por fim, Víctor Orlando Bisonó, ex-ministro da Indústria, Comércio e MPMEs da República Dominicana (2020–2026) e atual ministro da Habitação, Habitat e Edificações, enfatizou a importância de diversificar a matriz produtiva e avançar para setores de maior sofisticação tecnológica. Apontou o crescimento de indústrias como dispositivos médicos, eletrônica e serviços digitais como exemplo do potencial regional para a inserção em cadeias globais de maior valor agregado.

 

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