Festival CAF enaltece a cultura como motor de desenvolvimento na ALC
27 de janeiro de 2026
No Festival CAF da Cultura, os diretores das fundações Gabo, Hay Festival e Festival Centroamérica Cuenta coincidiram na urgência de investir mais em cultura e de adaptar estratégias ao contexto da inteligência artificial.
27 de janeiro de 2026
Os desafios da leitura na América Latina e no Caribe mudaram radicalmente com a irrupção da inteligência artificial e das plataformas digitais. Essa foi uma das principais conclusões do painel “Letras que transformam: leitura, livro e escrita essenciais para o desenvolvimento”, realizado no âmbito do Festival CAF “Vozes por Nossa Região: Cultura que Move o Mundo”, no qual representantes do ecossistema cultural regional alertaram para os riscos da “claudicação cognitiva” e defenderam o fortalecimento do investimento em políticas públicas culturais.
“Hoje, o principal mediador da leitura é o algoritmo”, alertou Jaime Abello, diretor-geral da Fundação Gabo, ao enfatizar que as pessoas estão lendo por meio de telas condicionadas por algoritmos e plataformas digitais, o que pode gerar manipulação. “O que está em jogo é uma sociedade sem capacidade crítica”, advertiu.
Para Abello, a região precisa se adaptar urgentemente a esse novo cenário. “Temos de adaptar nossa visão e nossas estratégias à entrada da IA. Precisamos de um continente com pessoas dotadas de pensamento crítico. De saber ler, claro, mas também de compreender o conteúdo”, afirmou. O diretor defendeu ainda que os direitos digitais sejam reconhecidos como parte integrante dos direitos humanos e culturais e convocou a “aproveitar ao máximo as redes e a IA, assumindo os riscos e formulando políticas capazes de fortalecer as próximas gerações”.
Claudia Neira Bermúdez, diretora do Festival Centroamérica Cuenta, fez um chamado ao trabalho em sinergia e com generosidade. “Precisamos mapear o território e construir uma comunidade em torno do livro”, afirmou, destacando a importância do intercâmbio presencial para aproximar criadores e formuladores de políticas públicas.
Neira Bermúdez reconheceu que a disparidade entre as regiões latino-americanas representa uma fragilidade, mas prefere encará-la “como desafio e oportunidade”. “Não existem receitas únicas, e é preciso considerar as diferenças da América Latina”, disse, ao incentivar os diversos atores do setor a construir uma estratégia global conjunta.
Cristina Fuentes La Roche, diretora internacional do Hay Festival, ressaltou a necessidade de fortalecer ecossistemas editoriais sólidos em nível nacional. “Para que os livros circulem, a América Latina precisa de ecossistemas nacionais robustos. É necessária diversidade editorial e uma melhor distribuição que reduza custos”, explicou.
“Primeiro, os países precisam estar fortalecidos para que se possa pensar na região”, acrescentou Fuentes La Roche. Ao reconhecer a existência de vozes muito importantes no continente e que “a voz circula com mais facilidade”, reforçou que “é preciso fazer com que o livro físico também circule”.
Um ponto de convergência entre os painelistas foi a urgência de ampliar os investimentos no setor cultural. “A América Latina está em movimento, e o que precisamos é articular essas políticas com orçamentos. Se há algo que falta, é muito mais investimento em diversos modelos”, afirmou Abello, acrescentando: “Precisamos gerar mais pressão para alcançar investimento e colaboração”.
O painel, moderado por Karine Gonçalves Pansa, CEO do Grupo Girassol Brasil, deixou claro que a leitura, o livro e a escrita, além de veículos culturais, são ferramentas essenciais para a construção de sociedades mais justas, inclusivas e resilientes na região, especialmente em um contexto no qual a tecnologia apresenta tanto oportunidades quanto ameaças à formação do pensamento crítico.
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