América Latina e Caribe seguem apostando no multilateralismo

No Fórum CAF do Panamá, líderes globais convergiram ao afirmar que, em um mundo em transição, a região só poderá fortalecer sua influência se atuar de forma conjunta.

29 de janeiro de 2026

No âmbito do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, foi realizado o diálogo “Multilateralismo e um mundo em transição”, um espaço de reflexão sobre os desafios e as oportunidades enfrentados pela região em um contexto global marcado pela reconfiguração geopolítica, pela relocalização das cadeias de valor, pela transição energética e pelas tensões em torno da ordem internacional.

O painel, moderado pela jornalista Gabriela Frías, contou com a participação de Albert Ramdin, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), e de Andrés Allamand, secretário-geral ibero-americano da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB). Ambos destacaram a urgência de fortalecer o multilateralismo regional para que a América Latina e o Caribe ampliem sua influência, coesão e capacidade de incidência na agenda global.

Durante sua intervenção, Ramdin afirmou que há, no hemisfério, uma crescente consciência entre os líderes sobre a necessidade de avançar em uma nova direção, baseada na unidade, na participação construtiva e na atenção às necessidades reais da cidadania. Ressaltou que o multilateralismo só é efetivo quando os países atuam de maneira coordenada e alinhada.

“A região precisa de um multilateralismo capaz de gerar paz, democracias sólidas, maior segurança, respeito aos direitos humanos e prosperidade”, afirmou Ramdin, ao enfatizar a necessidade de criar condições para que o setor privado impulsione a produção e o desenvolvimento, por meio de maiores facilidades aos setores estratégicos locais. Para isso, segundo ele, dois elementos são indispensáveis: unidade e conexão entre os países da região.

Nesse sentido, Allamand fez um apelo para que a América Latina e o Caribe atuem de forma conjunta a fim de ganhar influência e serem ouvidos no cenário internacional. Embora tenha reconhecido sinais encorajadores nessa direção, alertou que a região ainda não age com a unidade necessária.

Em sua avaliação, um dos principais obstáculos à integração é a interferência da ideologia e da política interna nos processos de cooperação regional. Assim, defendeu que somente uma ação conjunta permitirá à Ibero-América exercer um papel relevante no cenário global.

Ambos os participantes concordaram que o mundo atravessa um ponto de inflexão. Ramdin destacou que não são necessárias agendas baseadas no conflito, mas propostas positivas, construtivas e compartilhadas, nas quais o dissenso seja possível, sempre a partir do respeito mútuo.

Allamand, por sua vez, observou que as organizações multilaterais não acompanharam, no mesmo ritmo, as transformações globais e que a ordem internacional anterior não irá retornar. No entanto, esclareceu que isso não significa prescindir dessas instituições, mas sim reformá-las e fortalecê-las para responder a uma nova realidade. “Se adotarmos uma postura ativa, a América Latina e o Caribe podem, sim, desempenhar um papel importante”, afirmou.

Como conclusão, ambos ressaltaram que a América Latina e o Caribe vivem um momento único de sua história: enfrentam desafios significativos, mas também dispõem de capacidades, recursos e ativos estratégicos que ainda não estão sendo aproveitados de forma coletiva.

O Fórum foi inaugurado por Sergio Díaz-Granados, presidente executivo do CAF – banco de desenvolvimento da América Latina e Caribe, ao lado de José Raúl Mulino, presidente do Panamá; Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil; Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; Daniel Noboa, presidente do Equador; Bernardo Arévalo, presidente da Guatemala; Gustavo Petro, presidente da Colômbia; Andrew Holness, primeiro-ministro da Jamaica; e do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.

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