Fórum CAF reuniu mais de 6.500 líderes de 70 países
30 de janeiro de 2026
No Fórum CAF do Panamá, líderes globais convergiram ao afirmar que, em um mundo em transição, a região só poderá fortalecer sua influência se atuar de forma conjunta.
29 de janeiro de 2026
No âmbito do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, foi realizado o diálogo “Multilateralismo e um mundo em transição”, um espaço de reflexão sobre os desafios e as oportunidades enfrentados pela região em um contexto global marcado pela reconfiguração geopolítica, pela relocalização das cadeias de valor, pela transição energética e pelas tensões em torno da ordem internacional.
O painel, moderado pela jornalista Gabriela Frías, contou com a participação de Albert Ramdin, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), e de Andrés Allamand, secretário-geral ibero-americano da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB). Ambos destacaram a urgência de fortalecer o multilateralismo regional para que a América Latina e o Caribe ampliem sua influência, coesão e capacidade de incidência na agenda global.
Durante sua intervenção, Ramdin afirmou que há, no hemisfério, uma crescente consciência entre os líderes sobre a necessidade de avançar em uma nova direção, baseada na unidade, na participação construtiva e na atenção às necessidades reais da cidadania. Ressaltou que o multilateralismo só é efetivo quando os países atuam de maneira coordenada e alinhada.
“A região precisa de um multilateralismo capaz de gerar paz, democracias sólidas, maior segurança, respeito aos direitos humanos e prosperidade”, afirmou Ramdin, ao enfatizar a necessidade de criar condições para que o setor privado impulsione a produção e o desenvolvimento, por meio de maiores facilidades aos setores estratégicos locais. Para isso, segundo ele, dois elementos são indispensáveis: unidade e conexão entre os países da região.
Nesse sentido, Allamand fez um apelo para que a América Latina e o Caribe atuem de forma conjunta a fim de ganhar influência e serem ouvidos no cenário internacional. Embora tenha reconhecido sinais encorajadores nessa direção, alertou que a região ainda não age com a unidade necessária.
Em sua avaliação, um dos principais obstáculos à integração é a interferência da ideologia e da política interna nos processos de cooperação regional. Assim, defendeu que somente uma ação conjunta permitirá à Ibero-América exercer um papel relevante no cenário global.
Ambos os participantes concordaram que o mundo atravessa um ponto de inflexão. Ramdin destacou que não são necessárias agendas baseadas no conflito, mas propostas positivas, construtivas e compartilhadas, nas quais o dissenso seja possível, sempre a partir do respeito mútuo.
Allamand, por sua vez, observou que as organizações multilaterais não acompanharam, no mesmo ritmo, as transformações globais e que a ordem internacional anterior não irá retornar. No entanto, esclareceu que isso não significa prescindir dessas instituições, mas sim reformá-las e fortalecê-las para responder a uma nova realidade. “Se adotarmos uma postura ativa, a América Latina e o Caribe podem, sim, desempenhar um papel importante”, afirmou.
Como conclusão, ambos ressaltaram que a América Latina e o Caribe vivem um momento único de sua história: enfrentam desafios significativos, mas também dispõem de capacidades, recursos e ativos estratégicos que ainda não estão sendo aproveitados de forma coletiva.
O Fórum foi inaugurado por Sergio Díaz-Granados, presidente executivo do CAF – banco de desenvolvimento da América Latina e Caribe, ao lado de José Raúl Mulino, presidente do Panamá; Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil; Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; Daniel Noboa, presidente do Equador; Bernardo Arévalo, presidente da Guatemala; Gustavo Petro, presidente da Colômbia; Andrew Holness, primeiro-ministro da Jamaica; e do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
30 de janeiro de 2026
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