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02 de fevereiro de 2026
No Fórum CAF, no Panamá, o Nobel de Economia 2024 afirmou que a região ficou para trás, mas que seu desequilíbrio também impulsiona criatividade e inovação. Ele defendeu a necessidade de reimaginar o setor informal e de reduzir a distância entre o ideal e o real para fortalecer o desenvolvimento.
29 de janeiro de 2026
No âmbito do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026, o Prêmio Nobel de Economia 2024, James Robinson, apresentou sua palestra intitulada “The Latin American Disequilibrium”, na qual afirmou que a América Latina “ficou para trás economicamente”, mas ressaltou que o desequilíbrio entre o ideal e a realidade na região não representa apenas um desafio, sendo também uma fonte de criatividade, resiliência e inovação.
Em sua apresentação, introduzida por Julyssa Reinoso, sócia do escritório Winston & Strawn LLP, Robinson sustentou que existe uma lacuna persistente entre as aspirações institucionais e as capacidades reais dos Estados latino-americanos. No entanto, longe de adotar uma visão determinista ou pessimista, argumentou que esse desequilíbrio deu origem a dinâmicas sociais e econômicas singulares, que podem se transformar em vantagens comparativas se forem compreendidas e geridas adequadamente.
Reimaginar o setor informal
O Nobel enfatizou a necessidade de repensar o setor informal, tradicionalmente associado à baixa produtividade e a níveis mais elevados de pobreza. Embora tenha reconhecido suas limitações, destacou que esse setor também gera criatividade, redes de colaboração e o que denominou de “+1”: soluções adicionais que permitem levar bens e serviços aonde o setor formal não chega.
“O setor informal é baseado em redes sociais e relações pessoais”, explicou, acrescentando que uma de suas consequências positivas é a democratização do consumo, ao oferecer bens a preços mais baixos. Além disso, pode gerar sinergias com o setor formal e complementar seu funcionamento, especialmente em contextos em que as instituições não conseguem responder plenamente às necessidades da população.
O modelo latino-americano de cidadania
Robinson também refletiu sobre o que chamou de modelo latino-americano de cidadania, caracterizado por uma notável capacidade de acolher e integrar diferentes culturas. Em sua avaliação, essa habilidade de coexistir e reconhecer os desafios do outro constitui um ativo social subestimado, com implicações relevantes para a coesão e a estabilidade democrática.
Por fim, o economista compartilhou sua teoria sobre o motivo pelo qual os latino-americanos se destacam no futebol, relacionando essa habilidade a dinâmicas sociais baseadas na criatividade, na improvisação e no trabalho em equipe, que emergem justamente de contextos marcados por restrições e desequilíbrios.
Robinson concluiu com uma nota otimista: embora a América Latina enfrente problemas políticos, sociais e econômicos, também dispõe de ativos valiosos e de experiências que permitem construir soluções a partir de uma perspectiva mais construtiva.
O Fórum foi inaugurado por Sergio Díaz-Granados, presidente executivo do CAF – banco de desenvolvimento da América Latina e Caribe, ao lado de José Raúl Mulino, presidente do Panamá; Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil; Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; Daniel Noboa, presidente do Equador; Bernardo Arévalo, presidente da Guatemala; Gustavo Petro, presidente da Colômbia; Andrew Holness, primeiro-ministro da Jamaica; e do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
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