Fórum CAF reuniu mais de 6.500 líderes de 70 países
30 de janeiro de 2026
Na abertura do Fórum Econômico Internacional do CAF, no Panamá, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, destacou o papel do multilateralismo para reposicionar a América Latina e o Caribe no mundo.
28 de janeiro de 2026
Durante a sessão de abertura do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado na Cidade do Panamá, o presidente do Brasil defendeu o multilateralismo, a integração regional e a cooperação entre países como respostas centrais aos desafios enfrentados pela região em um contexto global marcado pela instabilidade geopolítica, pelo ressurgimento do unilateralismo e pelas tensões no comércio internacional.
Nesse contexto, destacou a importância do Fórum como espaço estratégico para que a América Latina e o Caribe discutam seus próprios interesses e fortaleçam sua presença no sistema internacional.
“Seguir divididos nos torna a todos mais frágeis”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Em um contexto de ruptura da ordem liberal, de ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, a América Latina e o Caribe precisam atuar com pragmatismo e assumir que a integração possível é aquela baseada na pluralidade, na cooperação e em resultados concretos. Nenhum país da região resolverá sozinho seus desafios históricos; somente a ação coletiva nos permitirá fortalecer nossa inserção internacional e garantir desenvolvimento, paz e prosperidade para nossos povos”.
Lula assinalou que a região atravessa um período de fragilidade institucional e baixa coordenação política, o que tem limitado sua capacidade de responder de forma conjunta a desafios sistêmicos. Entre eles, mencionou crises sanitárias, o avanço do crime organizado transnacional e os efeitos da mudança do clima, alertando que a fragmentação regional reduz o peso político e econômico da América Latina e do Caribe no cenário global.
Segundo o presidente, o atual cenário internacional exige um modelo de integração pragmático, capaz de conviver com a diversidade política dos países e orientado a resultados concretos. Diante da ruptura da ordem liberal e do retorno de práticas protecionistas, afirmou que a região não pode permanecer dividida, pois isso aprofunda vulnerabilidades comuns. Nesse sentido, destacou que a capacidade de atuar de forma coordenada terá impacto não apenas no desenvolvimento regional, mas também na estabilidade do sistema internacional.
A sessão inaugural do Fórum foi conduzida por Sergio Díaz-Granados, presidente executivo do CAF – banco de desenvolvimento da América Latina e Caribe, ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil; Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; Daniel Noboa, presidente do Equador; Bernardo Arévalo, presidente da Guatemala; Gustavo Petro, presidente da Colômbia; Andrew Holness, primeiro-ministro da Jamaica; e do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast.
Durante sua intervenção, Sergio Díaz-Granados ressaltou o caráter histórico do encontro e a necessidade de fortalecer a integração regional diante dos desafios globais. “Este Fórum nasce para refletir sobre como dotar nossas nações das capacidades necessárias de coordenação e como potencializar nossa região, integrando-nos entre nós e com o restante do mundo. Em meio à fragmentação, precisamos de espaços de reflexão amplos, ousados e de alto impacto, para alinhar posições, ampliar o protagonismo geopolítico e dotar a região de uma voz própria que ofereça soluções concretas e caminhos de ação”.
Díaz-Granados também destacou o papel do CAF no apoio aos países para a solução de desafios regionais e apresentou os planos de expansão da instituição para os próximos cinco anos: “Temos as bases para alcançar um crescimento exponencial da nossa carteira: aspiramos expandir o banco em, no mínimo, 70% até 2031, o que representa cerca de US$ 100 bilhões em novas aprovações, sendo ao menos 20% destinadas ao setor privado”.
O Fórum reúne, nos dias 28 e 29 de janeiro, chefes de Estado e de governo, ministros, líderes empresariais, representantes de organismos internacionais e referências acadêmicas para debater os principais desafios e oportunidades da América Latina e do Caribe, com mais de 6.000 pessoas inscritas de 70 países.
A agenda contempla temas-chave como crescimento econômico, integração regional, sustentabilidade, investimento, inclusão e competitividade, com o objetivo de construir, por meio do diálogo, soluções concretas que impulsionem o desenvolvimento da região.
30 de janeiro de 2026
29 de janeiro de 2026
29 de janeiro de 2026