Nobel de Economia Philippe Aghion: ALC precisam de mais ambientes inovadores para impulsionar o crescimento

A América Latina e o Caribe só alcançarão crescimento sustentado se criarem condições para que a inovação prospere, afirmou o Nobel de Economia Philippe Aghion.

29 de janeiro de 2026

A América Latina e o Caribe não alcançarão crescimento econômico sustentado sem criar as condições adequadas para que a inovação prospere, segundo Philippe Aghion, economista vencedor do Prêmio Nobel e um dos principais pensadores mundiais em crescimento e inovação.

Ao participar do Fórum Econômico Internacional 2026 do CAF, Aghion afirmou que talento e recursos, por si só, não são suficientes. O mais importante é se os países estabelecem instituições, políticas e ambientes competitivos adequados, além de realizarem os investimentos necessários para que a inovação se traduza em produtividade, empreendedorismo e desenvolvimento de longo prazo em toda a região.

“Para crescer, um país precisa de um bom sistema educacional, pouca burocracia, um ambiente macroeconômico estável e um ambiente que estimule a inovação”, declarou Aghion.

Ele observou que as prioridades específicas variam de acordo com o país, mas que algumas condições fundamentais são consistentemente relevantes. Entre elas estão a redução da burocracia para permitir a entrada de novas empresas nos mercados, a garantia de uma política de concorrência sólida, a manutenção da estabilidade macroeconômica e a criação de ecossistemas financeiros que apoiem a inovação desde as fases iniciais até o crescimento.

“O essencial é garantir que novos talentos possam entrar”, afirmou, destacando que a burocracia excessiva frequentemente impede que empreendedores criem e ampliem seus negócios. Sem um ambiente que permita às empresas crescer e competir, a inovação, segundo ele, não consegue se enraizar.

Aghion enfatizou que condições macroeconômicas previsíveis são essenciais, alertando que a instabilidade e a alta inflação corroem rapidamente os retornos da inovação. Igualmente importante, afirmou, é assegurar que as empresas possam crescer, o que exige “boa concorrência” e ecossistemas financeiros robustos.

A inovação, ressaltou, começa com o capital humano, e sistemas educacionais sólidos são um pré-requisito para o empreendedorismo e o crescimento da produtividade. Antes que políticas avançadas de inovação ou pesquisa tenham sucesso, disse, os países precisam garantir que seus sistemas educacionais gerem as competências e os talentos necessários para um crescimento impulsionado pela inovação.

Ao refletir sobre a trajetória de crescimento da China, Aghion destacou como o país inicialmente se expandiu por meio da imitação, absorvendo tecnologias estrangeiras e aprimorando práticas de gestão. Embora essa abordagem tenha permitido um crescimento rápido, ele advertiu que a América Latina e o Caribe não podem depender apenas da imitação atualmente e devem fortalecer instituições, educação e financiamento para apoiar a inovação, inclusive na fronteira tecnológica.

Sobre a inteligência artificial, Aghion afirmou que ela possui grande potencial para aumentar a produtividade e apoiar o crescimento em toda a região. Observou que há evidências de que empresas que adotam IA tornam-se mais produtivas, mas alertou que esses ganhos dependem da existência de políticas industriais e trabalhistas adequadas, capazes de apoiar a transição dos trabalhadores entre empregos à medida que as tecnologias evoluem.

Ao tratar da relação entre investimento e inovação, Aghion rejeitou a ideia de que os países devam escolher um em detrimento do outro. Ele os descreveu como complementares, destacando que investimentos em áreas como capacidade computacional, sistemas de dados e infraestrutura digital são, muitas vezes, necessários para viabilizar a inovação, especialmente em tecnologias emergentes como a IA.

Para concluir, Aghion expressou confiança no potencial da região e incentivou os formuladores de políticas a promover reformas com ambição e autoconfiança.

“Minha mensagem é: tenham orgulho de quem vocês são”, afirmou. “Há talentos extraordinários na América Latina e no Caribe. Tenham a confiança de que, se implementarem as políticas corretas, podem se tornar um polo global de crescimento e inovação.”

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