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20 de janeiro de 2026
CAF e o Instituto Feira Preta renovam sua parceria para dar continuidade ao trabalho iniciado em 2024 e implementar um novo programa com foco em formação profissional, produção de dados e articulação de redes
22 de janeiro de 2026
O CAF – banco de desenvolvimento da América Latina e do Caribe – e o Instituto Feira Preta firmaram uma nova cooperação técnica destinada a dar continuidade às próximas etapas do trabalho iniciado em 2024, quando as duas instituições realizaram o primeiro estudo regional sobre o ecossistema afroempreendedor latino-americano, com a participação de empreendedores negros do Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e Panamá. O anúncio do Programa de Formação Multinacional para Empreendedores Afrodescendentes foi feito durante o Festival Feira Preta, em Salvador (Bahia), no fim de novembro de 2025.
Com o objetivo geral de fortalecer o ecossistema afroempreendedor na América Latina por meio do desenho e da implementação de ações multinacionais de formação, o programa contará com um aporte de US$ 250 mil do CAF e terá duração de 12 meses. Entre as atividades previstas estão:
Jaime Holguín, representante do CAF no Brasil, destaca que o banco incorpora perspectivas de gênero, inclusão e diversidade em suas operações. “Com esta nova cooperação técnica com o Instituto Feira Preta, renovamos nosso compromisso de promover a inclusão financeira e social na região e, em especial, buscamos ampliar as oportunidades de formação e conhecimento para eliminar as barreiras de acesso a recursos financeiros e técnicos para as pessoas afroempreendedoras da América Latina”, afirma Holguín.
Para Eddi Marcelin, diretor de Diversidade Étnico-Racial da Gerência de Gênero, Inclusão e Diversidade do CAF, as próximas etapas do programa têm como propósito transformar evidências em ação e promover um ecossistema afroempreendedor mais forte, resiliente e inclusivo. “Queremos contribuir para a geração de renda, o combate às desigualdades e o fortalecimento do desenvolvimento sustentável na região”, ressalta Marcelin.
Nas palavras de Adriana Barbosa, fundadora e diretora executiva do Instituto Feira Preta, a renovação dessa parceria entre a Feira Preta e o CAF representa um passo decisivo para acelerar o campo do empreendedorismo negro na América Latina. “No primeiro ano, realizamos uma pesquisa inédita em cinco países; agora avançamos para uma segunda edição ampliada, que incluirá dois novos territórios e um programa transnacional de educação empreendedora. Este projeto é de suma importância para nossa trajetória, porque reafirma o compromisso da Feira Preta com uma visão estratégica e continental, conectando saberes, experiências e oportunidades para que a população negra latino-americana prospere e lidere os futuros possíveis da região”, afirma Adriana Barbosa.
Perfil do ecossistema
Em 2024, o Instituto Feira Preta, em parceria com o CAF e a Plan CDE, realizou o primeiro estudo regional sobre o ecossistema afroempreendedor na América Latina. A pesquisa, desenvolvida em cinco países — Brasil, Argentina, Colômbia, Peru e Panamá —, entrevistou 2.855 afroempreendedores e traçou um panorama detalhado de suas dinâmicas, desafios e oportunidades.
O estudo revelou um forte protagonismo feminino no setor: 80% dos negócios afro na região são liderados por mulheres, embora 48% delas recebam o equivalente a um salário mínimo ou menos. Segundo o relatório, essa liderança não se deve apenas à vocação empreendedora, mas também a contextos de exclusão estrutural que levam muitas mulheres a empreender como única alternativa de sustento.
A pesquisa também mostrou que 59% dos negócios são a principal ou única fonte de renda do domicílio e que cerca de 60% surgiram durante a pandemia como resposta resiliente à crise. Apesar de sua relevância econômica, 49% dos empreendedores ganham até um salário mínimo; apenas 9% vendem para grandes empresas; 45% estão formalizados; e 64% utilizam a mesma conta bancária para despesas pessoais e comerciais, o que evidencia barreiras persistentes à inclusão financeira.
Outro ponto de destaque é o papel do saber tradicional como motor de inovação e geração de renda, reforçando o potencial transformador do afroempreendedorismo quando recebe o apoio adequado. No entanto, o principal obstáculo identificado continua sendo o acesso ao crédito formal, limitado pela burocracia, pelos altos custos e pela discriminação, o que obriga muitos empreendedores a recorrer a linhas informais de financiamento.
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