CAF aprova garantia de US$ 100 milhões para rodovias no Paraná
05 de fevereiro de 2026
O presidente executivo do CAF saudou os chefes de Estado e de Governo presentes no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe. Destacou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recordou que “já somos o principal emissor não soberano da América Latina e do Caribe e temos a melhor classificação de crédito da nossa história, com crescimento em balanço e liquidez”.
28 de janeiro de 2026
Cidade do Panamá (Panamá), 28 de janeiro de 2026.
"Dou-lhes as mais cordiais boas-vindas a uma nova edição do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe. Quero iniciar destacando a liderança do Governo do Panamá para garantir o sucesso deste Fórum.
Muito obrigado, presidente José Raúl Mulino, ao senhor e a todo o seu gabinete, em especial ao chanceler Javier Martínez-Acha; ao ministro da Economia e Finanças, Felipe Chapman; e à ministra da Cultura, Maruja Herrera, com quem ontem inauguramos o primeiro Festival de Ideias para a América Latina e o Caribe.
Cumprimento especialmente os chefes de Estado e de Governo que nos acompanham e destaco a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como orador principal desta jornada.
Nesta manhã, quero compartilhar reflexões em torno de três eixos estratégicos:
Permitam-me começar pela razão do tema central que escolhemos para este ano.
Em 2026, celebra-se o bicentenário do Congresso Anfictiônico do Panamá, uma ideia audaciosa de Simón Bolívar diante do novo ordenamento que tomava forma há dois séculos. Para o Libertador, o Panamá era o cenário ideal para construir uma região integrada, forte e solidária.
Este Fórum tem a mesma essência: pensar em como dar às nossas nações as capacidades necessárias de coordenação e como potencializar a nossa região, integrando-nos entre nós e com o resto do mundo. Em meio à fragmentação, precisamos de espaços de reflexão amplos, audaciosos e de alto impacto, para alinhar posições, somar protagonismo geopolítico e dotar a região de uma voz própria que ofereça soluções concretas e caminhos de ação.
Registramos um interesse e uma adesão sem precedentes. Temos mais de 6.000 pessoas inscritas, provenientes de mais de 70 países. Este Fórum é o encontro mais importante da região para fins de mobilização e alianças. As deliberações destes dias fornecerão insumos para transformar ideias em ações que melhorem a vida das pessoas em toda a região.
A América Latina e o Caribe têm as peças necessárias para resolver seus dilemas. A fórmula do sucesso está no diálogo, no esforço sustentado e na soma de potencialidades. O novo panorama global oferece à região um cenário inédito.
Estamos vivendo um cisma no sistema baseado em regras. A esse sistema — imperfeito, mas que oferecia um piso de previsibilidade — opõe-se hoje outro, centrado em interesses e disputas pelo controle de elementos essenciais para as transições digital e energética.
A América Latina e o Caribe, com mais de 650 milhões de habitantes, detentora de 15% da superfície terrestre e de uma biodiversidade incomparável, verdadeiro motor de soluções para os dilemas globais, precisa navegar essa realidade.
E podemos fazê-lo com plena confiança, porque a região tem o que o mundo espera e necessita. Para a segurança alimentar global, nossos campos oferecem a maior despensa do planeta. Para a inteligência artificial e a transição energética globais, são necessários os metais e minerais que a América Latina e o Caribe possuem.
E, para gerar previsibilidade e construir confiança, destacamos a boa notícia da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, há duas semanas. Assim, mais do que nos assustar, os ventos de mudança associados à tecnologia, à renovação institucional e às novas tendências devem servir para potencializar nosso avanço. No tabuleiro geopolítico global, nossa região não é um jogador marginal, mas um ator de primeira ordem.
No CAF, acreditamos que o gatilho das oportunidades está na correção dos desequilíbrios seculares que nos afligem. Entre eles, a alta informalidade, a persistência da pobreza, o desemprego, a insegurança, as migrações repentinas e o desgaste das instituições democráticas.
Os problemas que atravessam e afetam a região encontrarão resposta a partir de uma ação coletiva que priorize o bem-estar e convoque para além das diferenças ideológicas. Nossa força como região está na unidade e na coordenação. Por isso, fortalecer a integração, mais do que uma aspiração, é um imperativo estratégico. Integração para crescer. Integração para irrigar a prosperidade e materializar todo o nosso potencial coletivo.
Nesse cenário, o CAF desempenha um papel muito importante. Há mais de 80 anos, para a reconstrução do mundo após a Segunda Guerra Mundial, realizou-se a conferência de Bretton Woods. Dela surgiram instituições como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, e foram lançadas as sementes que permitiram, décadas depois, o surgimento do CAF. A América Latina e o Caribe fizeram parte desse esforço global.
Estava presente então o chanceler colombiano Carlos Lleras Restrepo, que algumas décadas depois, já como presidente da República, concebeu o CAF junto a seu colega chileno Eduardo Frei Montalva. As instituições que temos hoje foram resultado da ação em um momento de crise e da resposta para enfrentar o fechamento de brechas e o desafio do crescimento.
O pensamento dos fundadores do CAF conecta-se ao pensamento catedral, à visão que, tijolo por tijolo, constrói pensando nas gerações futuras. Trata-se de uma convicção que faz parte da nossa essência e do nosso DNA institucional.
Hoje, o CAF conta com 24 países acionistas e avança para ser o banco de desenvolvimento com maior presença geográfica na região.
Já somos o principal emissor não soberano da América Latina e do Caribe e temos a melhor classificação de crédito da nossa história, com crescimento em balanço e liquidez. Estamos inovando e mobilizando cada vez mais recursos para a região, consolidando-nos como uma plataforma que promove a América Latina e o Caribe em todo o mundo.
O que era impensável há meio século é hoje uma realidade concreta e cheia de potencial a serviço de todos os latino-americanos e caribenhos. Ainda assim, estamos convencidos de que podemos — e devemos — fazer muito mais. Mario Vargas Llosa escreveu que “nunca tudo está totalmente ganho”. Por sua vez, Octavio Paz costumava dizer que “a viagem nunca termina”, que “sempre é mais adiante”.
No mês passado, por amplo consenso, os países da região estenderam meu mandato como presidente executivo do CAF até 2031. Quero agradecer novamente aos governos, aos diretores e ao presidente do Diretório do banco, o ministro Tancoo, de Trinidad e Tobago, pela confiança. Unidos, continuaremos dando ao banco uma orientação prospectiva e efetiva diante das transições e desafios que a região deve enfrentar.
A ação para o próximo quinquênio está focada em três pilares. O primeiro consiste em impulsionar oportunidades na América Latina e no Caribe, com um trabalho concentrado tanto em nossas cidades quanto no meio rural. Em segundo lugar, ser um banco ainda mais próximo, ágil e flexível, parceiro dos países, com atuação ajustada às suas necessidades e realidades.
Continuaremos colocando à disposição de cada um dos países acionistas nossa experiência e o conhecimento acumulado na solução de problemas em nível regional.
E, em terceiro lugar, a expansão dos nossos serviços financeiros. Temos as bases para alcançar um crescimento exponencial da nossa carteira. Aspiramos expandir o banco em, pelo menos, 70% até 2031.
Isso significa cerca de US$ 100 bilhões em novas aprovações, e ao menos 20% delas serão direcionadas ao setor privado com impacto no desenvolvimento. Vamos nos consolidar como a principal janela de financiamento ao desenvolvimento da região. E reforçaremos a coordenação por meio de iniciativas como este Fórum. Temos enormes oportunidades pela frente e vamos aproveitá-las a partir de um modelo de integração pragmática.
Todo esse trabalho continuará sendo potencializado junto a um grupo extraordinário de instituições multilaterais, com as quais avançamos em temas como transformação digital, transição energética, segurança, comércio, sustentabilidade, infraestrutura e resiliência.
De fato, nesta semana esperamos concretizar cerca de 35 acordos com parceiros estratégicos para fortalecer esse trabalho. Hoje, a partir do CAF, a região pode sonhar, planejar e fazer. O grande debate que teremos ao longo destes dois dias nos ajudará a definir novas ações e programas para a região.
Por isso, quero agradecer novamente a presença dos chefes de Estado e de Governo que nos acompanham. Vocês são pioneiros na construção desta aliança público-privada em favor do bem-estar e do progresso. É momento de elevar o olhar, com a mentalidade do bom ancestral que trabalha com os pés no presente e o coração naqueles que ainda não nasceram.
Mais uma vez, sejam todos bem-vindos a esta segunda edição do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe.
Muito obrigado!"
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